No início da semana, perdi-me na leitura de um post de um dos meus blogues de eleição - Ananás e Hortelã. Provavelmente quase todos(as) conhecem esta delícia de blog, cheio de histórias, fotografias e receitas lindas. Gosto imenso de lá passar e retirar inspiração para novas receitas ou, simplesmente, sorrir com a forma honesta, simples e carinhosa com que a sua autora, a Ginja, trata os alimentos e os transforma.
No seu post, falava na cozinha como uma terapia. Como uma catarse. Como um palco onde se gerem emoções. E eu vi-me bem no meio da plateia, abraçada aos meus livros e colheres de pau.
Sempre gostei de cozinhar. Desde pequena. Sobretudo os bolos e os doces que aprendi a fazer ainda quando os aventais me davam pelos pés. Como quem prepara um cenário, eu adorava levar todos os ingredientes para a mesa e começar de imediato a preparar uma receita, pesando-os na balança velhinha de ferro, daquelas que se anda para a frente e para trás na escala até o peso estar na medida certa. Que alegria que era raspar a massa da taça com o "salazar" e lamber os dedos sem que ninguém desse conta. E esperar pelo bolo, quente e bonito, orgulhosa por fazer sorrir os que o esperavam com uma chávena de chá na mão. Momentos de pura felicidade, partilha, cumplicidade e generosidade.
Quando cresci e tomei conta da minha própria cozinha, os momentos à volta do fogão e do forno ficaram diferentes. Já não é só a alegria contagiante que me desperta a vontade de cozinhar. É também a necessidade de um tempo só meu. De me encontrar nos meus pensamentos. De relaxar e aproveitar o silêncio da cozinha desabitada para colocar as ideias em ordem, sem pressas. Enquanto manuseio os alimentos, os cheiro e os cozinho, o mundo gigante à minha volta fecha-se e torna-se pequenino, quase insignificante, e tudo se concentra naquele momento. Há somente espaço para novos ensaios e viagens pelas páginas do que me inspira. Um livro novo, um caderno antigo, uma receita encontrada por aqui. A serenidade regressa e o meu eu com ela.
Se pensar bem, a cozinha sempre foi uma amiga, uma companheira e um lugar cheio de coisas boas.
Boas memórias, bons momentos, boa companhia. E boas receitas! Como a de um bolinho fofo como uma bola de algodão e suave como a brisa quente que finalmente nos afaga a pele.
Até breve!
BOLO CHIFFON DE TANGERINA E SEMENTES DE PAPOILA
(receita adaptada daqui)
ingredientes
8 ovos médios à temperatura ambiente (gemas e claras em separado)
150g de farinha
50g de amido de milho
175g de açúcar + 50g extra
2 c. chá bem cheias de fermento em pó
¼ c. chá de sal fino
1/2 chávena de chá de sementes de papoila
1 dl de óleo de girassol
raspas da casca de 4 tangerinas
120ml de sumo de tangerina peneirado (cerca de 6 tangerinas)
para o glacé
200g de açúcar em pó
Sumo de 2 tangerinas
preparação
1. pré-aquecer o forno a 170°C
2. untar uma forma grande de buraco com manteiga e polvilhar com farinha (sacudir bem o excesso)
3. peneirar para uma taça as farinhas com o fermento e acrescentar o açúcar, o sal, as sementes de papoila e as raspas de tangerina, misturando bem
4. fazer um buraco ao centro e deitar o óleo, o sumo de tangerina e as gemas. Reservar.
5. à parte, bater as claras até formarem picos suaves
6. acrescentar as 50g de açúcar restantes e bater até ficarem em castelo bem firme
7. bater agora os ingredientes da outra tigela, até estarem bem incorporados
8. envolver bem 1/4 das claras em castelo, incorporando em seguida as restantes de forma faseada e cuidadosa, isto é, com movimentos suaves
9. verter a massa na forma forma e alisar a superfície
10. levar ao forno durante cerca de 45 a 55 minutos, ou até o bolo estar cozido e com um tom dourado (fazer o teste do palito, mas só abrir o forno após 30 minutos, para o bolo não baixar)
11. retirar do forno, cobrir com um pano seco e limpo e deixar arrefecer dentro da forma (o bolo vai baixar um pouco)
12. desenformar para um prato de servir e, quando estiver completamente frio, despejar por cima o glacé: peneirar para uma taça o açúcar em pó e misturar muito bem o sumo das tangerinas, até se obter uma consistência quase líquida
13. guardar o bolo numa boleira hermética ou coberto com papel de alumínio até 2 a 3 dias


















































